MÍDIA: contosdaescola.net
DATA: 10/12/2008
Secretaria de Educação do Amazonas inova e mostra como se faz EAD que funciona


José Augusto de Melo Neto, coordenador do Centro de Mídias de Educação do Amazonas, me procurou para falar da iniciativa da Secretaria de Educação do Amazonas (SEDUC/AM). Trata-se uma solução de Educação À Distância (EAD) altamente tecnologica - aulas com transmissão via satélite -, criada em 2007, para resolver o problema de 17 mil alunos do estado do Amazonas residentes nas comunidades rurais, que estudavam até a 9ª série do Ensino Fundamental e não davam seqüência aos seus estudos, por conta do difícil acesso às escolas. Para 2009, a previsão é que o número de estudantes atendidos salte para 20 mil. Confira o vídeo, a seguir, para entender melhor o projeto - que foi vencedor do Prêmio E-Learning 2008. E leia abaixo a entrevista que José Augusto de Melo Neto concedeu ao blog Contos da Escola.


1)Algumas universidades canadenses e norte-americanas apresentam esse modelo de aulas presenciais a distância via satélite. O modelo da SEDUC/AM foi inspirado em alguma dessas iniciativas internacionais?
José Augusto de Melo Neto: O nosso modelo certamente tinha como referência anterior as experiências realizadas no ensino superior no Brasil e no Exterior nas últimas décadas. No entanto, tivemos o desafio de realizar esse projeto para a educação básica e em larga escala para o sistema público. Em nosso Estado mesmo, pelas nossas características geográficas, tivemos um projeto de formação de professores implementado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) que nos últimos seis anos formou 16.000 professores utilizando a tecnologia uplink de vídeo. Costumo dizer que nós não inventamos nada, apenas reunimos de forma inédita algumas soluções existentes no mercado para resolver um problema de demanda de alunos de ensino médio residentes em áreas remotas e de difícil acesso. A tecnologia de transmissão por satélite (IP multimídia), a videoconferência multiponto como ferramenta pedagógica (IP.TV) e a metodologia presencial com mediação tecnológica serviram para nós ampliarmos esse atendimento escolar.

2) Quais foram os maiores desafios de implementar Educação à Distância (EAD) no nível ensino médio? JAMN: Na verdade, apesar de utilizarmos todas as ferramentas de Educação à Distância como suporte pedagógico às aulas, nós não utilizamos uma solução de EAD clássica. Nossas aulas são síncronas com transmissão via satélite e com muita interatividade em tempo real por termos mais de 300 antenas bidirecionais e uma plataforma tecnológica que permite isso. Após a aprovação da metodologia no Conselho Estadual de Educação, nossos maiores desafios foram a instalação das antenas e a montagem das salas (hoje são 524!). Além disso, temos que garantir o transporte escolar (o deslocamento dos alunos até os pólos, a maioria via fluvial) e a energia elétrica, pois 60% das escolas não tem uma solução regular e precisamos mandar geradores de energia.

3) Os professores que ministram as aulas no Centro de mídia receberam treinamento especial?
JAMN: Os professores do Centro de Mídias são professores efetivos da rede pública estadual. Fizemos uma seleção prévia e, antes do início das aulas, realizamos os primeiros cursos de formação profissional, desde a abordagem técnica dos softwares e equipamentos utilizados, passando pela fundamentação pedagógica da metodologia e até oficinas de produção educativa para TV, pois o sistema que temos funciona na verdade como uma TV interativa por IP. Evidentemente, o nosso desenvolvimento profissional tem sido diário como resultado de muita interação entre mais de 800 profissionais. É uma construção coletiva. Realizamos também, como formação continuada, algumas oficinas de atualização técnica e pedagógica, além de palestras por videoconferência com especialistas.

4) Como foi a adaptação do conteúdo de suas matérias para a modalidade? Os professores receberam apoio de outros profissionais?
JAMN: Temos uma equipe de produção terceirizada. Os professores elaboram os planos de aulas, pois eles são os responsáveis pelo conteúdo. Eles tem nessa etapa uma assessoria pedagógica. Essas aulas, passam então por um processo de roteirização, ou seja: são adaptadas para a linguagem televisiva. Pesquisa, pré-produção, edição de arte, áudio e vídeo fazem parte da produção antes do resultado final que é a transmissão das aulas, com base em um roteiro aprovado pelo professor. Temos uma Central de Produção Educativa para TV que gera centenas de objetos de aprendizagem.

5)Algum programa de matéria teve de sofrer adaptação por conta da modalidade? JAMN: Eu diria que todos. Optamos pelo sistema modular, ou seja: as cargas horárias dos componentes curriculares não são fragmentadas como na escola regular. Nós esgotamos o contéudo de Língua Portuguesa, antes de passar para Matemática, por exemplo. Como o planejamento é feito de forma interdisciplinar, os professores podem fazer referências e dialogar com os outros assuntos já ministrados ou que ainda irão “pro ar”. Temos uma carga horária anual de 1.000 horas/aula e o ensino médio é oferecido em três anos. 6)Como é o ambiente dessas salas de aulas remotas? Há tutores presentes nessas salas?
JAMN: Temos em cada sala de aula um professor presencial. Nessa metodologia ele é bem mais que um tutor de uma telessala, pois tem uma função pedagógica ativa e bem definida. Lembre-se que nossas aulas são ao vivo. Ele não apenas liga e desliga os equipamentos. O professor presencial interage e como resultado dessa interação muda o curso das aulas. As salas são equipadas com o que chamamos de “kit tecnológico”, que inclui computador, impressora, webcam, microfone, telefone ip, impressora, nobreak e um televisor LCD de 42″. O acesso à Internet, disponível em todas as salas, complementa a Plataforma Tecnológica.

7)Diante dessa iniciativa tão inovadora e importante da SEDUC/AM, por que você acha que algumas instituições de educação concebem a EAD somente via sites, como se fosse um tradicional fórum somado a um repositório de documentos?
JAMN: Há várias formas de EAD. Talvez algumas instituições ainda pensem a Educação a Distância apenas como oposição da Educação Presencial. Vivemos um momento de transição para uma educação mais flexível. A heutagogia, por exemplo, não deve ser uma transferência de responsabilidades. Nosso modelo é uma solução encontrada para resolver um problema específico, mas é importante lembrar que o Brasil ainda está longe da universalização do ensino médio. Nós, do Amazonas, estamos fazendo a nossa parte. Saiba mais em: Seduc amplia Centro de Mídias para levar ensino a mais de 700 comunidades rurais Knol - Centro de Mídias de Educação do Amazonas Videoconferência leva ensino médio ao interior do Amazonas Seduc amplia número de estações satelitais do Centro de Mídias Prêmio e-learning 2008 School Bells Ring In The Amazon Via Satellites