MÍDIA: Jornal da Globo - Rede Globo
DATA: 20/05/2008

Procura-se uma estrela

Centenas de indiazinhas da Amazônia sonham em se tornar estrela de cinema. Elas disputam uma vaga como a nova Tainá, a garota que defende a preservação da floresta nas telonas.
Olhinhos puxados e corte de cabelo igual ao da heroína das telas. Todo mundo tem motivos de sobra para querer ser Tainá. "Ela tem um monte de animaizinhos", diz uma menina. Mais de 200 meninas já se inscreveram nos teste para a escolha da estrela do longa metragem Tainá 3, um filme de aventura voltado para a educação ambiental. A indiazinha é o único personagem brasileiro que não nasceu na televisão, nem na literatura e conquistou milhões de fãs país a fora. Irá, da aldeia Ticuna, foi para a seleção só para trazer a filha Puramanã, de três anos. Mas quem não pode viajar até Manaus também participa da seleção. Agora crianças do interior do Amazonas têm a chance de virar estrelas de cinema. As candidatas ao papel principal fazem testes nas próprias comunidades onde vivem. E podem virar atrizes mirins por causa da tecnologia". A imagem é capturada e transmitida pela internet usando uma antena de satélite. O sistema começou a ser usado no ano passado na educação de jovens e adultos em comunidades ribeirinhas. E agora foi adaptado para os testes com as crianças. A cinco mil quilômetros de distância, no Rio de Janeiro, as produtoras do filme entrevistam as candidatas. “Esse sistema está nos facilitando, a gente consegue da Barra Tijuca fazer entrevistas com centenas de crianças do estado do Amazonas. A gente não teria condições num curto período de tempo se não tivesse sido feito através de sistema”, conta a produtora do filme, Virgínia Limberg. A menina que interpretou a personagem no cinema foi descoberta no interior do Pará. Eunice Bahia, agora com 18 anos, ajuda na escolha da substituta. Tainá 3 começa a ser rodado em julho e deve estrear no fim do ano. Apenas uma candidata vai ganhar o papel principal, mas todas elas já saem com a mensagem ecológica do filme na ponta da língua. “É para fazer o bem para os animais”, diz uma das candidatas.