MÍDIA: Jornal Hoje - Rede Globo
DATA: 07/02/2008

As salas de aulas virtuais já são bem reais: reúnem mais de 1,2 milhão de brasileiros.

Imagine a cena: o aluno está na Amazônia. O professor, no Sul do país. A reportagem sobre Educação à distância foi sugerida pelos telespectadores do Jornal Hoje.

Olhos atentos na tela. As mãos se dividem entre o mouse e o violão. Há três meses, Alexsandro decidiu estudar música. Não tinham tempo. Optou por um curso à distância.

"Eles me passam o exercício e eu pratico em casa, gravo na webcam e envio para eles. Eles verificam os problemas e corrigem tudo on line", diz Alexsandro Cavalcante, analista de suporte.

O aluno está em Manaus. O professor em Curitiba.

"Se eu colocar o aluno presencial tocando e o aluno da internet, você vai constatar o mesmo resultado", diz Clóvis Martini de Barros, professor.

As páginas que oferecem este tipo de serviço aumentam 30% a cada ano. Só faculdades reconhecidas pelo Ministério da Educação já são mais de 170 via internet.

No ensino médio, são 41 instituições de ensino. No fundamental, o colégio militar de Manaus, oferece aulas pela internet aos filhos de militares que servem em pelotões de fronteira na Amazônia.

Como nos cursos tradicionais, o resultado das aulas à distância depende muito do desempenho de cada aluno.

"A lei não permite qualquer discriminação, até mesmo porque não teria nenhum motivo para se discriminar quem fez o curso à distância ou presencial. A validade dos cursos é o mesma para ambos os casos", diz Robson Santos, coordenador do pólo AM da Abed, Associação Brasileira de Ensino a Distância.

O avanço da tecnologia agora permite que alunos ribeirinhos do Amazonas cursem o ensino médio nas comunidades onde vivem.

Os professores não estão nas salas de aula, mas a centenas de quilômetros daqui, na capital. As aulas são ao vivo, via satélite e dão a 10 mil alunos em mais de 300 comunidades do interior do Amazonas a chance de cursar o Ensino Médio.

Até o ano passado, os alunos que concluíam o Ensino Fundamental tinham duas opções: se mudavam para cidades ou paravam de estudar. Agora, quem voltou à sala de aula, faz planos.

"Esse ano é da minha filha. Daqui a dois anos vai ser o meu. A minha formatura", diz sonora com Valdenete Silveira, dona de casa.

"Eu quero chegar ao lugar que mereço. Saber lidar com os meus próprios negócios para não depender de ninguém para cuidar deles. Quero ter essa autonomia", diz Sebastião de Lima Mendonça, agricultor.