JORNAL: Revista Frecuencia Latinoamérica
DATA: 05/2004


IP.TV: do Brasil para o mundo

Desenvolvida pela empresa nacional VAT, o projeto IP.TV permite a formação de redes e canais de TVs interativas através de uma infra-estrutura IP. Projetos de educação a distância e treinamentos corporativos despontam como os serviços a serem
ofertados a partir dessa nova plataforma.

Ana Paula Lobo

Videoconferência interativa a partir do IP não é mais um sonho de futuro. Uma empresa brasileira, a VAT S.A, desenvolveu e comercializa o projeto batizado de IP.TV, e que permite a formação de redes e canais de TVs interativas a partir do protocolo IP.

A primeira transmissão aconteceu em novembro do ano passado e foi realizada pela Universidade Virtual do Maranhão. O teste reuniu 11 Estados do Brasil, entre eles, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Amazonas. Com a ferramenta, a Universidade planeja capacitar 500 professores do Estado do Maranhão, um dos mais carentes do Brasil.

Hoje, o produto está sendo testado em 31 cidades e por empresas, entre elas, a BR Distribuidora, da holding Petrobras, e também por empresas ligadas ao Poder Executivo brasileiro. Educação a distância, treinamentos corporativos, marketing institucional, seminários e conferências são os produtos ofertados para os testes. A expectativa da VAT é finalizar 2004, com pelo menos 30 contratos fechados.

Com transmissão em alta velocidade via satélite em banda KU - a infra-estrutura é contratada do PAS-9 (PamSat -9) - a IP.TV consumiu investimentos de aproximadamente US$ 3 milhões. A tecnologia, informa o presidente da VAT, Eduardo Giraldez, permite trafegar vídeo, áudio e texto de forma totalmente interativa a partir de uma rede IP multicast ( de um ponto para diversos pontos) ou unicast ( de um ponto para outro ponto).

Acessível ao bolso

Dois canais, um de ida (via satélite) e outro de volta ( via satélite ou terrestre) são utilizadas para efetuar a transmissão. A convergência de tecnologias é suportada pelo IRM( IP Relay Media), protocolo que controla a negociação de mídia, ou seja, é o responsável por permitir a formação das salas de discussão.

' Com o IRM, os usuários sabem quem está on-line e podem conversar através de ferramentas de interação como o Instant Messaging, via texto, ou através de voz sobre IP. Ela permite a interativa e com um custo substancialmente menor das salas executivas, ligadas à videoconferência tradicional', afirma Giraldez.

Hoje, o custo de uma sala executiva que utiliza o protocolo MPG2 e consome uma banda de 3Mbytes, de acordo com o executivo, está em torno de R$ 60 mil/mês. Já através da IP.TV, o custo é orçado em cerca de R$ 40 mil/mês.

Para disseminar o uso da tecnologia, a companhia negocia novos contratos e parcerias com operadoras de telecomunicações. Segundo Giraldez, como as carriers apostam na tecnologia IP, elas seriam provedoras do serviço para o mercado corporativo.

Para o segundo semestre, os planos da empresa são audaciosos. A proposta é negociar convênios internacionais na América do Sul, Europa, Ásia e Estados Unidos. O tempo de espera é necessário para o lançamento da solução de bilhetagem (billing).

'Com ela, poderemos permitir que uma operadora possa fazer videoconferências por demanda e com preço pré-estabelecido. Apostamos muito no sucesso do IP interativo. A nossa solução está em fase final de desenvolvimento e vamos apresenta-la não apenas para as carriers nacionais mas também para todas as operadoras da América Latina', concluiu Giraldez.