JORNAL: A NOTÍCIA
DATA: 24/02/2004

Uma das aplicações da IP.TV é a possibilidade de se ministrar aulas virtuais utilizando videoconferência
Foto: Divulgação

Os bastidores
da televisão via IP

Tecnologia permite videoconferência e troca de arquivos de áudio, texto e vídeo

Junte as funcionalidades do ICQ como troca de arquivos e bate-papo em tempo real, a rapidez e a diversidade de canais do iRC, transmissão de imagens, vídeos e texto em alta velocidade e uma webcam localizada em cima do monitor e você tem uma plataforma completa para videoconferência e aplicações de e-learning. É assim que funciona a IP.TV, www.i p.tv, solução tecnológica para envio e recebimento de dados via satélite lançada no final do ano passado. Uma visita aos corredores do prédio, localizado em Botafogo, zona Sul do Rio de Janeiro, é uma aula de alta tecnologia.
Educação a distância pode ser a aplicação principal da plataforma, mas não é a única possível. A velocidade e a qualidade da videoconferência por IP pode ser usada por empresas públicas ou privadas. Depois de constatar o filão de mercado, a IP.TV começa a traçar uma estratégia de penetração no mercado, que inclui o usuário doméstico. Através de uma antena instalada em prédios ou em condomínios de casas, os usuários-telespectadores poderiam, já a partir do segundo semestre deste ano, ter acesso ao software e ao acesso via satélite oferecidos pela empresa.
O preço ainda é um grande empecilho. O investimento médio mensal para uso em tempo integral é de R$ 11.500,00, mais a aquisição e instalação da antena parabólica do tipo bidirecional (para recepção e transmissão de sinais) que opere em banda KU. A instalação do software multimídia para interação dos condôminos completaria o pacote. A esperança fica por conta de a IP.TV funcionar via acesso ADSL, dispensando o uso da antena. Negociações com a Telefônica e com a Telemar já estão em andamento para a oferta da nova modalidade de serviço, adianta o empresário Eduardo Giraldez, diretor-presidente da IP.TV. "Neste caso, o custo do minuto é rateado por muitos usuários e o preço acaba saindo menor que o de um telefonema interurbano", explica Eduardo.
A primeira grande cliente da IP.TV foi a Universidade Virtual do Maranhão, que já está usando o acesso via satélite e o software de videoconferência para a capacitação de 500 professores espalhados por todo o Estado. A operadora também é a responsável pela transmissão de aulas virtuais para vinte conveniadas do curso de pós-graduação executivo-júnior da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Neste caso, um professor dá sua aula no estúdio enquanto é filmado por três câmeras tradicionais. Para a aula, que tem todas as vantagens da interatividade virtual, ele tem em mãos tanto recursos multimídia de som e imagem quanto o velho quadro para exposição de suas aulas. Com um detalhe fundamental: através do software, ele pode enviar, por videoconferência, arquivos feitos em Power Point, além de vídeos em alta qualidade.


Professor controla
acesso ao canal de transmissão

Além dos estúdios de gravação, o prédio da IP.TV tem também uma sala de edição que usa computação gráfica, uma sala para transmissão das imagens, uma sala de call center e até um camarim para preparação dos professores. "O professor controla todos os recursos do software e decide quem tem acesso ao canal", diz Antonio Faya, diretor de tecnologia operacional da IP.TV.
O recurso descrito acima funciona como no iRC. No software o usuário visualiza uma série de canais. Se estiver autorizado pelo moderador, pode trocar impressões e pedir mais informações ao professor. Foi no iRC que os programadores que criaram o software da IP.TV buscaram a inspiração para bolar o sistema batizado de IRM (IP Relay Media), protocolo que controla a negociação de mídia, ou seja, quem está ou não autorizado a se conectar nas redes específicas e o que é transmitido e em que formato. Através do software, o moderador do canal de TV tem o poder de "ceder a vez" ao usuário que quiser contribuir com o programa em exibição, seja com vídeo, áudio ou mensagens. Ainda existe a opção "salvar o desktop": o professor pode capturar a tela de seu desktop e enviar para todos os usuários presentes no canal.
O software ainda oferece a opção "quadro digital", espécie de mousepad que simula um quadro de sala de aula para que o professor possa rabiscar desenhos ou gráficos. Os programadores da IP.TV também quiseram testar a viabilidade do serviço para plataformas Linux e acabaram descobrindo um bug que não permitiria o funcionamento do software. Decidiram consertar o bug e enviaram o patch para os mantenedores oficiais do Linux, que implementaram as mudanças. Mas, por enquanto, nada de IP.TV versão Linux para desktops. No momento, ela será só para empresas.

http://an.uol.com.br/2004/fev/04/0inf.htm